Menu


Do Brasil para a Argentina: a história de Dalia Hewia

Causa criada por Vitória Santana

  • R$4
    Ajudados de R$900
  • 2
    Doações
  • 0
    Seg restantes
0 %
O objetivo dessa causa foi atingido parcialmente.
Causa criada por Vitória Santana
1 causas, 0 contribuições

Meu nome é Vitória Santana, tenho 22, anos e sou estudante. Estou aqui para contar um pouco da história da Lúcia, com as palavras da mesma:

"Sou brasileira, escritora com quatro livros publicados e tenho paixão pela escrita. Sou uma otimista incorrigível. Conheci Buenos Aires em 2013 na minha primeira viagem e me apaixonei de tal forma pela cidade que resolvi me mudar. Cheguei aqui em 2014 com muita animação, cheia de planos mas pouca informação. Eu sempre fui muito sensível em relação a animais, crianças, excluídos, minorias etc. Nos meus textos a vida toda busquei e busco combater o pré ou pós conceito, mas justamente eu fui a que mais sofri com essa questão. Por algumas vezes eu não resisti e peguei animais de rua para criar e tentar minorar o sofrimento deles... Eu tinha cinco cachorras e três gatos e vim com todos, trazendo dois por voo. Na época eu dispunha de uma reserva de dinheiro.

Tomei informações com uma pessoa que morou aqui dois anos e me disse que aqui adoravam animais.

Cheguei aqui...primeira decepção: não aceitam alugar para quem tem animal e também para quem tem criança pequena até uns 10 anos. Parece piada, mas é a triste verdade. Vocês poderiam ver se tivessem contato com os anúncios daqui... Então consegui alugar um apartamento com pátio pagando muito caro por quase dois anos. Não consegui me mudar para outro. Não consegui trabalho. Demorei quase seis meses para conseguir um e mesmo assim em negro (como chamam aqui... Esse termo é triste também) e ganhando bem menos do que outro profissional que faz a mesma coisa que eu (niñera ou baby sitter). Antes de conseguir trabalho fui morar num quarto numa casa de cômodos. Sofri abuso sexual por parte do dono. Para me proteger, tive um relacionamento com um vizinho bem bravo.

Com pouco espaço, as cachorras viviam brigando. Até que certo dia, o dono descobriu que eu tinha cinco (porque eu as escondia... Foi o único jeito de alugar, tive que dizer que tinha menos animais). O contrato já vencendo naqueles dias e o dono não quis renovar. Me deu uns poucos dias para sair. Enfim, eu saí, mas não tinha pra onde ir. Eu não queria doar meus animais porque eles não iam entender por serem inocentes e como saber quando você doa para um estranho se serão bem cuidados? Meus animais eram todos castrados, vacinados, com excelente peso e saudáveis.

Minha reserva de dinheiro acabou quando fui pra essa casa de comodos e ali passei muita fome. Emagreci 12 kg em dois meses. Eu não tinha o que comer, nem trabalho, muito menos a quem pedir.

Fui morar num hostel. Me aceitaram e ainda disseram que iam fazer um canil para meus animais se eu pagasse uma habitação particular. Acreditei. Não só não fizeram como comecaram a implicar com eles. No dia em que vencia outro mês e eu ia pagar como de hábito, mas fui expulsa. A dona não aceitou o pagamento e me mandou sair com prazo de 24 horas. Desesperada, pedi ajuda num grupo do face e no dia umas meninas brasileiras ajudaram sim. Cada uma ficou com um animal temporariamente, mas me disseram que eu havia chegado num ponto impossível de continuar. Eu teria que doar. Tive que doar três e isso com certeza me matou um pouco. Jamais serei a mesma. Fui então procurar aluguel novamente e recebi a proposta de uma família para que compartíssemos uma casa ou apartamento. Fui porque já conhecia a familia. Eu convivi com todos na cada de comodos por seis meses (marido, esposa e três filhos pequenos). Na primeira noite despertei com o homem me passando as mãos em tudo quanto era lugar. Perguntei a ele se estava louco. Ele disse que me queria e ia ter. Fui falar com a esposa dele. Ela comecou protestando contra ele, mas ele tentou convencê-la. Corri para sala e pedi ajuda por messenger. Uma conhecida estava on, acreditou em mim e foi para lá com a polícia que me salvou. Tive que fazer denuncia contra os dois porque a esposa não queria me deixar sair da casa.

Desde esse dia, ando pela cidade com receio porque eles ficaram presos por dez horas. Eu achava que estava presa em um inferno do qual não conseguia sair.

Tive ofertas para prostituição e meu desespero era tanto que quase caí em tentação. Pedia dinheiro emprestado para sobreviver e me pediam sexo.

Sobrevivi graças a ajuda de alguns poucos mas fiéis amigos de Juiz de Fora e Rio. Para meus parentes, sou só uma fracassada pobre que teima em ser escritora. Sou uma vergonha porque estou em situação muito difícil. Ganho bem menos do que tenho que pagar onde moro.

Distribuo currículos em muitos lugares mas nunca me chamam, talvez pela idade. Mas sigo tentando. Preciso conseguir um lugar para alugar. Um lugar que me aceite com minhas duas cachorras que sobraram. Estão velhas e não tem culpa da falta de controle da situação. Apesar de todas as coisas horríveis que passei aqui, continuo adorando a cidade, sua organização, parques, natureza e incentivo a cultura. No momento não tenho condições de viver com dignidade aqui e nem de voltar. Preciso sim de ajuda porque essa ajuda pode fazer e muito a diferença. Pensei várias vezes em suicídio, mas não faosi isso porque conheço meu intimo e acho que mereço uma chance de reverter minha situação. Passei meses chorando todos os dias, mas agora estou determinada a não me entregar ao sofrimento graças a uma amiga que mesmo de longe está me dando forças para perseverar. Essa amiga que inclusive me pediu para relatar minha história e que na verdade é uma irmã que encontrei na vida, um presente que prova que não estou só.

Meus livros são anunciados em várias livrarias na internet, mas eu nunca vi um centavo e nem sei como averiguar isso.

Meu pseudonimo é Dalia Hewia. É um imenso prazer saber que posso ser util através da minha escrita. Agradeço a todos."